Há muitos vídeos e textos na internet que se propõem a ensinar como conseguir cumprir sua lista de tarefas diárias, mas eu quero trazer aqui algo muito mais profundo que talvez esteja travando você. Inclusive depois de entender o que eu trago aqui é possível que você encontre mais clareza sobre como sair deste impasse.
Não estou dizendo que as técnicas contra procrastinação não funcionam, mas a questão pode ser anterior a elas e mais profunda. Na psicologia há explicações e técnicas focadas no comportamento que funcionam muito bem, inclusive eu uso muitas delas, mas tem um ponto muito sério aqui que precisa ser considerado e muitas vezes não nos damos conta.
Será que você quer realmente fazer o que programou? Olha, tem muita coisa que não gostamos de fazer, mas precisamos, pelo simples fato de que se não fizermos a vida não anda! Mas veja, esse texto está longe de ser um texto motivacional, muito pelo contrário.
Muitas vezes nós de fato não queremos fazer o que nos obrigamos a fazer e existem infinitas razões para isso, cada um vai ter a sua.

Será que precisa?
Eu vou trazer o meu caso aqui para que fique mais fácil de entender: na minha primeira análise eu falava muito sobre como era difícil estudar francês. Eu colocava na agenda usava técnicas para “fazer acontecer” e nada. Era um suplício!
Depois de muito elaborar sobre o assunto, cheguei a conclusão que estudar francês era para mim uma questão de status, eu apenas queria saber falar francês, mas aquilo não fazia sentido e se eu parasse não ia fazer diferença nenhuma na minha vida.
Se houvesse alguma razão plausível seria para estudar Lacan na língua original, mas é totalmente possível estudar a teoria dele sem falar francês e quando eu tenho que recorrer aos textos originais, hoje existem tradutores muito eficientes.
Eu não estou dizendo aqui que tudo que fazemos precisa necessariamente ter uma utilidade, mas neste caso não estava me dando prazer mesmo.
Essa era uma coisa totalmente descartável e que só estava pesando na minha rotina, mas isso era para mim!! Outras pessoas podem ter outros motivos para estudar francês.
Esse exemplo é de alguma forma mais fácil, pois eu no fim das contas eliminei esse fardo da minha vida, só que se eu não tivesse passado pelo processo estaria sofrendo com a procrastinação até hoje!!

Procrastinação e as palavras.
Mas e quando não conseguimos fazer algo que precisamos de fato que seja feito? Aí é que o negócio complica. Mas com a psicanálise é possível investigar o que há por trás da lógica que te impede de fazer o que precisa ser feito, sem violência, mas talvez com um pouco do inevitável sofrimento.
Deixa eu te explicar melhor com um outro recorte de caso: eu odeio criar conteúdo para meu perfil do instagram, mas para divulgar meu trabalho eu preciso fazer. Muitas vezes eu penso que vou ter um trabalhão e em síntese tenho poucas visualizações e nem sempre engajamento. Mas meus pacientes chegam por lá ou por aqui também.
Então por mais sofrido que seja criar uma rotina de conteúdos para a internet eu vejo sentido e encontro razão para fazer o que precisa ser feito.
Algumas pessoas muito especiais me dão retornos tão bacanas sobre meus textos e vídeos que eu continuo a fazer, mas o principal motivo é mostrar meu trabalho, pois eu gosto tanto do que eu faço que esta acaba sendo a parte chata de uma coisa incrível que é ser psicanalista.
Uma vez um querido professor do ensino médio me disse que quem quer tocar piano precisa aprender a lidar com partitura. Nunca mais esqueci estas sábias palavras.
Existe também uma questão muito importante. A nossa vida é muito corrida e precisamos saber o que é possível fazer, muitas vezes exigimos de nós ideais inalcançáveis, e isso pode trazer muito sofrimento e consequentemente a procrastinação.
A palavra propósito está tão desgastada, tadinha, principalmente porque ela foi mal utilizada e esvaziada de sentido por muito tempo, assim como amor, paz, sucesso, procrastinação e por aí vai. Então é importante saber quais as palavras que você quer colocar e tirar do seu vocabulário para que você encontre meios de realizar o que sente vontade.
Os temas aqui apresentados têm caráter informativo e reflexivo, partem de observações do cotidiano da experiência humana. Não se trata de um texto científico, tampouco de uma exposição exaustiva, havendo simplificações necessárias ao formato. As questões abordadas podem ser aprofundadas em um processo analítico conduzido pela psicanálise lacaniana. Este conteúdo não deve ser tomado como fonte única de conhecimento. Recomenda-se a busca por outras referências, bem como a construção de uma compreensão própria a partir da experiência singular de cada leitor.

Oi, sou a Patrícia Albanez!
Sou psicanalista lacania e minha prática está fundamentada no estudo constante da obra de Lacan e Freud, com participação ativa em grupos de formação, supervisão clínica e pesquisa. Afinal todo bom analista investe em sua formação contínua!
Recebo na minha clínica adultos, que sofrem com atravessamentos como relações conflituosas, angústia, vazio existencial,repetições inconscientes e impasses subjetivos entre outros tantos.
Bora construir algo diferente?
Me acompanhe no Instagram ou no Youtube onde você pode me conhecer melhor, será um prazer ver você lá:
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