O que é codependência emocional: muito além do “amor demais”
A codependência é um daqueles nomes que, de tão repetidos, parecem simples. Mas não se engane: esse termo carrega uma complexidade emocional que atravessa gerações, vínculos familiares, casamentos longos, amizades que adoecem e até relações entre pais e filhos.
Diferente do que dizem os manuais de autoajuda, a codependência não é só sobre “amar demais”, mas sobre se perder em função do outro.
Quem vive em codependência emocional muitas vezes nem percebe. A sensação é de estar “ajudando”, “cuidando”, “fazendo o possível”. Mas por trás dessas ações, mora um vazio que tenta ser preenchido pelo reconhecimento, pela necessidade de ser necessário ou pelo medo extremo da rejeição. A vida passa a girar em torno do outro, enquanto o próprio desejo se apaga, ou nem chega a existir.
Se você sente que sua vida emocional depende do humor, da presença ou do retorno do outro, seja no amor, na família ou nas amizades, talvez seja o momento de olhar com mais cuidado para isso. E a psicanálise lacaniana pode ser uma ferramenta ética e potente para esse movimento.

Codependência emocional no relacionamento: quando o amor sufoca
Nas relações amorosas, a codependência emocional se manifesta como um apego excessivo que ultrapassa o cuidado saudável. A pessoa codependente pode ter comportamentos como:
- Deixar de lado seus interesses e limites para agradar o outro;
- Sentir medo constante de abandono;
- Dificuldade em dizer “não” por receio de magoar;
- Sentir-se responsável pelas emoções e escolhas do parceiro(a);
- Idealizar a relação como se ela fosse a única razão de existir.
Por trás desses sintomas, está uma tentativa de manter o outro próximo a qualquer custo, mesmo que isso implique em apagar a si mesmo. A dor da rejeição ou do afastamento parece maior do que qualquer mal-estar vivido dentro da própria relação.
Na clínica, é comum que quem busca terapia para dependência emocional chegue sem entender exatamente o que está errado. Muitas vezes, são pessoas que dizem “eu só queria amar e ser amada”, sem perceber o quanto estão presas a uma lógica relacional que as impede de desejar de forma autêntica.

Codependência familiar: o nó que se forma em silêncio
A codependência familiar é uma das formas mais difíceis de reconhecer, justamente porque nasce em contextos onde “amar demais” é normalizado. Pais que vivem em função dos filhos, filhos que se tornam cuidadores emocionais dos pais, irmãos que se anulam para manter a “paz”. O que esses vínculos têm em comum? A lógica do sacrifício constante como forma de pertencimento.
Essa dinâmica pode se manifestar em frases como:
- “Se eu não fizer, ninguém mais vai fazer.”
- “Minha mãe precisa de mim.”
- “Eu seria egoísta se pensasse em mim agora.”
Na abordagem lacaniana, a clínica busca investigar esses enredos para além do comportamento. A pergunta não é por que você se sacrifica, mas como essa posição se organiza no seu discurso. Que função você ocupa na estrutura familiar? A de cuidador? A de “equilibrador”? A de mediador entre os pais?
Romper com esses lugares simbólicos não é desleal. Pelo contrário: pode ser a única forma possível de amar de maneira menos sufocante e mais livre.

Diferença entre psicanálise e psicologia: por que esse detalhe importa?
Ao buscar ajuda para lidar com a codependência emocional, muitas pessoas passam por terapias que oferecem ferramentas de enfrentamento, dicas práticas e orientações comportamentais. Embora possam gerar alívio pontual, essas abordagens geralmente não alcançam a profundidade necessária para modificar a estrutura subjetiva que sustenta a repetição do sofrimento.
É aqui que entra uma questão crucial: qual é a diferença entre psicanálise e psicologia?
A psicologia trabalha, na maior parte das vezes, com estratégias voltadas ao ajustamento do sujeito à realidade. A psicanálise, especialmente a psicanálise lacaniana, praticada por Patrícia Albanez, propõe algo diferente: escutar o que é dito no dizer e a partir daí pensar em alternativas.
Para Lacan, o inconsciente é estruturado como uma linguagem. O sofrimento não é um ruído a ser eliminado, mas se ao falar sobre ele é possível extrair um discurso que precisa ser lido e interpretado. Por isso, a análise psicanalítica para dependência emocional não foca no que deve ser feito, mas na forma que aquele falante se relaciona com o outro.

Como a codependência se estrutura como uma lógica?
Na perspectiva da Psicanálise Lacaniana a codependência é um termo que precisa ser lido e interpretado de acordo com a história e a trajetória particular da pessoa que está em atendimento. Assim é possível trabalhar a partir da extração do discurso daquele que fala e a partir daí construir maneiras de lidar com a forma que aquela pessoa se relaciona com o outro.
A proposta da clínica não é incentivar o rompimento imediato com vínculos afetivos, mas possibilitar que o sujeito se escute, identifique os efeitos de sua posição relacional e, aos poucos, construa novas formas de estar no mundo que não dependam exclusivamente da aprovação ou da presença do outro.
Terapia para dependência emocional: escutar o que está em jogo
Procurar terapia para dependência emocional não é sinal de fraqueza. Pelo contrário: é sinal de que algo já não cabe mais. O sofrimento no relacionamento, o esgotamento na família, a ansiedade nas ausências apontam para um excesso. E é nesse excesso que mora a possibilidade de mudança que a análise lacaniana propõe.
Na clínica conduzida por Patrícia Albanez, o tratamento não oferece fórmulas prontas. Não se trata de “se amar mais”, “colocar limites” ou “ser mais racional”. Esses discursos, embora populares, costumam apenas reforçar a culpa e o isolamento de quem sofre.
Aqui, o que importa é escutar com ética, investigar e construir, palavra por palavra, uma nova forma de existir no mundo. Uma forma que não seja pautada pela submissão, pela culpa ou pela necessidade de ser essencial para alguém.

Codependência tem saída mas sem atalho
Romper com a lógica da codependência é um processo. E, como todo processo, não acontece de forma linear. É comum haver recaídas, idealizações, momentos de dúvida e até saudade da antiga posição, mesmo que ela tenha sido dolorosa.
Na clínica psicanalítica (disponível na modalidade online), esse percurso é sustentado com escuta qualificada, sem julgamentos e sem atalhos. O objetivo não é eliminar sintomas, mas construir outras significações. Não se trata de aprender a “ser mais forte”, mas de parar de repetir o que já não serve.
A abordagem lacaniana convida o sujeito a sustentar perguntas, a investigar o lugar que ocupa nas relações e a produzir um saber próprio sobre seu desejo. Não há cura mágica, mas há possibilidade de transformação.

Pode haver um fim na dependência, mas no desejo um recomeço.
A codependência é uma forma de prisão subjetiva que, muitas vezes, se apresenta como amor, cuidado ou responsabilidade. Mas amar não é se apagar. Cuidar não é se anular. E estar presente não é se sacrificar o tempo todo.
Se você se reconhece nesses enredos, talvez seja hora de fazer uma pergunta nova: e se você também merecesse se movimentar em direção ao próprio desejo?
A clínica de Patrícia Albanez é um espaço ético, investigativo e acolhedor, onde o sofrimento encontra palavra e o sintoma encontra escuta. Com base na tradição da psicanálise lacaniana, sua abordagem respeita o tempo de cada um, sustenta a complexidade da subjetividade e propõe novos caminhos, mesmo que ainda não estejam totalmente visíveis.
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