O que são “pessoas narcisistas”?
Pessoas comumente chamadas de “narcisistas” são frequentemente associadas a comportamentos egocêntricos, manipuladores e abusivos. Elas costumam manter uma imagem grandiosa de si mesmas, exigem constante admiração e validação e têm uma dificuldade significativa de reconhecer os sentimentos e necessidades do outro. É comum que estabeleçam relações baseadas em controle, onde o outro é constantemente desvalorizado, silenciado ou culpabilizado.
Mas a psicanálise lacaniana nos convida a olhar para além dos rótulos. O que leva uma pessoa a se tornar “narcisista”? Quais dores estão encobertas nesse tipo de comportamento? E, principalmente, o que pode ser feito quando nos relacionamos com alguém assim?

“Narcisismo”: um olhar pela psicanálise lacaniana
Dentro da abordagem lacaniana o termo “narcisismo” não é utilizado. Ele vem da teoria freudiana e é muito utilizado no senso comum de várias formas. Importante ressaltar que estamos falando de indícios de abusos emocionais que podem existir nas relações e na psicanálise lacaniana podemos construir caminhos para lidar com isso.
Na clínica, não lidamos com rótulos, mas com estruturas de linguagem. A psicanálise lacaniana é diferente de abordagens comportamentais, foca na palavra, no discurso e nas construções que podem ser feitas a partir dele. A pergunta não é: como devo me comportar?, mas sim: o que se repete? E o que está em jogo nessa relação?
Características de um “narcisista” em um relacionamento
No campo dos afetos, o “narcisismo” é especialmente devastador. As características de um “narcisista” em um relacionamento podem incluir:
- Necessidade de controle constante sobre o outro;
- Falta de empatia e escuta genuína;
- Comportamentos de desvalorização e humilhação;
- Dificuldade de reconhecer erros ou assumir responsabilidades;
- Manipulação emocional e chantagens afetivas;
- Isolamento do(a) parceiro(a) das redes de apoio;
- Uso do silêncio como punição;
- Instabilidade emocional mascarada por uma imagem de superioridade.
A relação com uma “pessoa narcisista” tende a ser um ciclo de idealização, desvalorização e descarte. O(a) parceiro(a) é inicialmente colocado em um pedestal, depois diminuído, até que seja considerado(a) descartável.

O que é uma “pessoa narcisista” no relacionamento?
No contexto amoroso, uma “pessoa narcisista” busca mais um espelho do que um parceiro. Espera ser admirada, nunca confrontada. Suas necessidades vêm sempre em primeiro lugar. Quando sente que não está recebendo o “reflexo” ideal, pode reagir com frieza, indiferença ou agressividade.
Relacionar-se com um “homem narcisista” no relacionamento ou com “mulheres narcisistas” pode deixar marcas profundas na autoestima, identidade e capacidade de confiar novamente. Muitas vítim@s relatam abuso emocional prolongado, medo constante de errar e uma sensação de apagamento de si.
“Marido narcisista”: quando o amor vira silêncio
Um “marido narcisista” pode aparentar ser carismático em público, mas dentro de casa exerce domínio, culpa e humilhação. É comum que use palavras como armas, ironia como forma de controle e o silêncio como castigo. Aos poucos, o cônjuge se sente confuso, invalidado e com a sensação constante de estar “pisando em ovos”.
A abordagem lacaniana permite compreender esse tipo de dinâmica como uma questão individual e como uma lógica de relação a ser observada e transformada.

Como um “narcisista” termina um relacionamento?
Pode ser de forma abrupta, fria e, muitas vezes, cruel. Quando um “narcisista” sente que não é mais o centro da atenção ou que perdeu o controle sobre o outro, pode terminar o relacionamento sem dar explicações, culpando o(a) outro(a) por tudo. Ou pode provocar a separação de forma indireta, por meio de traições, omissões e distanciamento afetivo.
É comum que, após o término, ainda tentem manter algum grau de controle emocional sobre a vítima, com mensagens ambíguas, aparente arrependimento ou comportamentos de espionagem.
“Narcisismo” tem cura?
A pergunta “narcisismo” tem cura? é frequente, mas pode ser melhor colocada de outra forma: é possível construir outra forma de lidar com essa relação?
Na psicanálise lacaniana, não se fala em cura no sentido médico, mas em trajetos singulares. Uma “pessoa narcisista” pode buscar análise? Sim. Pode se transformar? Sim. Mas isso exige tempo, desejo de fazer novas construções e suportar a angústia que a verdade pode provocar.

Diferença entre psicanálise e psicologia: por que isso importa aqui?
Entender a diferença entre psicanálise e psicologia ajuda a escolher o tipo de acompanhamento mais coerente com o que se busca. Enquanto a psicologia, em suas diversas abordagens, tende a olhar o comportamento, os padrões de pensamento e as emoções, a psicanálise lacaniana se debruça sobre a linguagem, o inconsciente e a forma como o efeito sujeito se constitui pela palavra e pela construção conjunta.
No caso das “pessoas narcisistas”, isso é fundamental. Não se trata de mudar comportamentos pela força de técnicas, mas de possibilitar a construção de uma nova relação com a linguagem, com a verdade e com o outro.

Como lidar com uma “pessoa narcisista”?
Antes de qualquer técnica, o mais importante é reconhecer: não adianta esperar empatia, escuta ou transformação espontânea.
Diante disso, alguns caminhos são possíveis:
- Reforçar seus limites com clareza;
- Buscar apoio terapêutico para elaborar os efeitos do abuso emocional;
- Evitar justificativas excessivas ou tentativas de convencimento;
- Manter contato mínimo ou nulo, se possível;
- Reorganizar sua vida a partir de você, não do outro.
É um percurso exigente, mas possível. E contar com uma escuta psicanalítica qualificada pode fazer toda a diferença.

O papel da escuta psicanalítica para lidar com narcisistas: onde entra a psicanalista Patrícia Albanez
Com formação em psicanálise lacaniana, Patrícia Albanez atua de forma online com escuta sólida, linguagem acessível e compromisso ético com a palavra. Seu trabalho não oferece respostas prontas, mas sustenta um espaço onde perguntas incômodas possam emergir.
Se você se reconheceu em alguma dessas situações ou convive com uma “pessoa narcisista”, saiba: existe um caminho de reconstrução. A análise não é um lugar de conserto, mas de construção.
O termo narcisismo, da teoria freudiana, é muito utilizado no senso comum de várias formas. Importante ressaltar que estamos falando de indícios de abusos emocionais que podem existir nas relações e na psicanálise lacaniana podemos construir caminhos para lidar com isso.
Bora construir algo diferente? Clique no botão de WhatsApp, agende uma conversa e inicie o caminho de volta a si.
Siga-me no Instagram: https://www.instagram.com/patialbanez/


