Autoestima

O que é autoestima?

A autoestima costuma ser definida como a qualidade de quem se valoriza, está satisfeito com seu modo de ser, com sua forma de pensar ou com sua aparência física, expressando confiança em suas ações e opiniões. É uma definição bonita, organizada, quase elegante. Funciona bem em dicionários, palestras motivacionais e discursos rápidos. Mas, quando entramos no campo da psicanálise, especialmente da psicanálise lacaniana, essas definições fechadas perdem suas forças.

Isso acontece porque, para a psicanálise, o sujeito não é algo dado de antemão. Não existe uma essência estável chamada “autoestima” que possa ser simplesmente medida, aumentada e fortalecida por meio de técnicas ou fórmulas. Em análise, o que se constrói são significações, e essas significações variam de acordo com a história, com os impasses e com a construção de cada caso. O que para uma pessoa aparece como “baixa autoestima”, para outro pode ser uma forma específica de se proteger do desejo, do risco ou da perda.

Por isso, quando a autoestima se apresenta como uma questão clínica, não faz sentido tratá-la como um objeto único e bem definido. Vale iniciar o trabalho interrogando suas múltiplas facetas. Do que exatamente estamos falando quando alguém diz que não se sente suficiente, confiante ou valorizado? Em que cenas isso aparece? Em quais relações? Em que momentos da vida?

Na neurose, esse saber não vem pronto, ele precisa ser construído ao longo do percurso analítico. Já na psicose, o manejo é diferente, também cuidadoso, mas respeitando outras formas de relação da pessoa com o mundo.

Aqui surge uma contradição interessante. A psicanálise não trabalha com dicas nem conselhos, pelo menos não no sentido comum. Ela não oferece caminhos prontos nem soluções universais. Ainda assim, existe algo que pode ser dito aqui neste texto, não de forma técnica, mas como uma posição ética diante da vida. Se esponto de vista te interessou, ele pode se tornar um eixo potente de trabalho em análise.

Aprender a ser ímpar, de forma genuína.

Ser só não é isolamento, nem frieza emocional, nem independência performática. Ser sozinho é uma construção no registro simbólico. É sustentar um lugar próprio no mundo, que não depende integralmente do olhar, do desejo ou do suporte do outro.

Muitas pessoas nunca tiveram essa experiência. Saem da casa dos pais diretamente para um casamento, uma união estável ou uma relação longa, pulando completamente a etapa de construir um espaço próprio, material e simbólico.

É claro que existe uma questão financeira importante aí. Morar sozinho hoje tem seu preço financeiro e simbólico, mesmo para pessoas com boa renda. Mas ainda assim tenha em mente que, depender financeiramente de alguém pode se tornar uma armadilha delicada.

Quando o vínculo afetivo se mistura com a dependência econômica, a pessoa frequentemente perde margem de escolha. E a escolha é um ponto central quando falamos de autoestima, não no sentido moral, mas no sentido simbólico.

Quando um relacionamento termina, algo além dele sempre morre. Uma imagem de futuro, um projeto, uma forma de se reconhecer no olhar do outro. Se, nesse momento, a pessoa não tem um lugar para onde voltar, um espaço que seja só seu, mesmo que simbólico, a devastação tende a ser maior. É por medo desse vazio que muitos engatam um relacionamento no outro, não por desejo, mas por horror à falta.

A clínica mostra com muita clareza que quem já construiu alguma relação com a falta sofre menos do que quem faz de tudo para evitá-la. A falta não é um defeito, ela é estrutural. Lacan nos ensina que é justamente a falta que coloca o desejo em movimento. Quando alguém tenta tamponá-la o tempo todo, seja com pessoas, consumo, status ou reconhecimento social, o custo costuma ser alto.

Fomos ensinados pelo senso comum que sem alguém ao nosso lado não somos completos, não somos válidos, não somos dignos de amor. Essa narrativa é muito sedutora, mas profundamente enganosa. Nenhuma relação sustenta a pessoa que não tem um mínimo de apoio em si mesmo.

Antes de buscar a chamada “cara metade”, vale a pena investigar se é isso que se quer de verdade, e não apenas o que se espera que se queira.

Não há problema algum em desejar um relacionamento saudável, estável e prazeroso. O ponto é outro. Sem o trabalho de escutar o próprio desejo, sem a construção de valores e referências próprias, corre-se o risco de viver uma vida que parece boa por fora, mas que não é vivida como própria.

Muitas pessoas bem-sucedidas financeiramente, admiradas socialmente, chegam à análise justamente com essa sensação de estranhamento, como se estivessem representando um papel.

Saber do que se gosta, o que se tolera e o que não se negocia é fundamental. Quando nos relacionamos, esses pontos entram em jogo o tempo todo. E o que sentimos precisa ter mais peso do que a manutenção de uma relação a qualquer custo.

Autoestima, nesse sentido, não é se achar melhor, mais bonito ou mais capaz. É sustentar uma posição que permita dizer não, escolher, perder e ainda assim seguir desejando.

A psicanálise não promete elevar a autoestima, mas oferece algo mais profundo. A possibilidade da pessoa se comprometer com a própria história e construir um modo único de estar no mundo, com mais verdade.


Oi, sou a Patrícia Albanez!

Sou psicanalista lacania e minha prática está fundamentada no estudo constante da obra de Lacan e Freud, com participação ativa em grupos de formação, supervisão clínica e pesquisa. Afinal todo bom analista investe em sua formação contínua!

Recebo na minha clínica adultos, que sofrem com atravessamentos como relações conflituosas, angústia, vazio existencial, repetições inconscientes e impasses subjetivos entre outros tantos.

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